Política
Política com Assinatura
Duarte Cordeiro: "PS tem de fazer convergências com o governo para reformas"
Pensar em eleições só daqui a três anos e meio, defende o socialista Duarte Cordeiro ao sublinhar que o PS deve preparar-se para saber estar na oposição.
Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas
Em entrevista ao podcast da Antena 1, Política com Assinatura, o socialista e antigo ministro de António Costa defende que “não é normal, não nos devemos habituar à ideia de que os processos duram o tempo que duram”.
Recomenda, por isso, alterações na Justiça, como, por exemplo, encurtar o tempo de vida dos processos e uma melhor gestão dos recursos pelo Ministério Público.
Duarte Cordeiro fala mesmo de “denúncias anónimas com o objetivo claro de fazer notícias a dizer que fulano ou fulana está a ser investigado”. “E depois temos de conviver com esta ideia de que a pessoa está a ser investigada e não sabemos do que dali resulta”, acrescenta.
Apesar de ter tudo esclarecido acerca do que, “inadvertidamente”, o envolveu na Operação Influencer, Duarte Cordeiro admite que “não lidei bem com essa suspeita”.
Governo devia ter lido os resultados das Presidenciais para remodelação mais profunda
“O primeiro-ministro perdeu uma grande oportunidade de fazer uma reforma mais profunda e com isso diminuiu espaço político de convergência em determinadas áreas”, sendo uma dessas áreas a da saúde.
Duarte Cordeiro defende a mudança da ministra da saúde porque considera que Ana Paula Martins “não tem essa força política”.
Quando a editora de política da Antena 1, Natália Carvalho, pergunta "o PS vai conseguir obter consenso com o Governo na área da saúde?”, Duarte Cordeiro é perentório: com esta ministra “acho muito difícil”. Duarte Cordeiro diz ter uma visão muito positiva de Luís Neves, o recém-nomeado Ministro da Administração Interna.
No entanto relembra que a saída de Luís Neves do cargo de Diretor da Polícia Judiciária, coloca agora outro problema: quem o vai substituir na PJ?
“Não vejo problema nenhum em PS viabilizar OE”
A reconstrução das regiões afetadas pelas tempestades é para Duarte Cordeiro uma “emergência nacional” que pode justificar a aprovação, por parte do Partido Socialista (PS), do próximo Orçamento do Estado (OE).
“Se isso significar que o PS deve viabilizar um Orçamento para criar condições de estabilidade para que essa reconstrução se inicie, não vejo problema nenhum de o PS ter esse sentido de responsabilidade”, adianta.
Apesar de não por de parte o PS reprovar Orçamentos de Estado, envia uma mensagem ao próximo Presidente da República, António José Seguro: “temos de nos habituar à ideia de que um OE chumbado não resulta em eleições. Espero que o Presidente António José Seguro partilhe esta leitura”.
Não é dizer sim a tudo, mas PS deve apostar em convergência com Governo
O antigo Ministro do Ambiente do último Governo de António Costa, acredita que o atual Executivo irá cumprir a totalidade da legislatura.
Esse contexto, diz, “convoca, quer o Governo, quer o Partido Socialista (PS), para a ideia de que tem de haver convergências para reformas necessárias no imediato”.
Recomenda, por isso, ao PS “participar em processos e negociações políticas que permitam reformas no curto prazo”. “Não planeio nenhum tipo de desempenho de futuro de nenhum cargo político”, é o que garante, para já, Duarte Cordeiro que pretende contribuir para o momento atual do PS.
Quanto ao futuro: “reservo-me à circunstância de ter uma leitura diferente daqui a uns anos”. Entrevista conduzida por Natália Carvalho, editora de política da Antena 1.